MÉTRICAS · ANÁLISE SEGMENTAR

Análise segmentada: o corpo em cinco cilindros

A análise segmentada mede massa magra e gorda de cada segmento como um cilindro elétrico próprio — dois braços, duas pernas, tronco.

É a camada da folha que enxerga o que o número total esconde.

O problema físico que ela resolve: num sistema de trajeto único mão-pé, o tronco — que concentra enorme fração da massa — é eletricamente curto e

grosso: contribui pouquíssimo para a impedância total, e sua composição é extrapolada, não medida.

Medir o corpo por um único trajeto é pesar um trem pesando um vagão e multiplicando por seis.

01 · Análise segmentar

Como a Evolt mede

Oito eletrodos táteis — mãos e pés — e leitura tetrapolar por trajeto, nas quatro frequências de 5, 50, 250 e 500 kHz.

Cada cilindro é lido diretamente: o tronco ganha composição real, e cada membro, o próprio número.

Quatro leituras invisíveis ao total: assimetria direita/esquerda de massa magra; equilíbrio superior/inferior;

a composição do tronco, onde mora o visceral; e a água extracelular por segmento — o rastreador de linfedema.

Os valores segmentares carregam mais variabilidade que o total; a comparação válida é do paciente com ele mesmo, em série padronizada.

Como ler — as quatro leituras

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Assimetria de membros. As causas, por frequência clínica: dominância esportiva —

esperada e estável; atrofia por desuso, lesão ou pós-operatório — a que importa interceptar;

neuropatia ou radiculopatia; e, no membro com ECW desproporcional, linfedema ou insuficiência venosa.

O sinal é a assimetria nova ou progressiva.

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Superior versus inferior. Dos 20 aos 70 anos, as pernas perdem 25 % de massa muscular nos homens e 22 % nas mulheres, contra 5,6 % e 11 % dos braços (Janssen, 2000). O idoso aperta a mão firme e não levanta da cadeira.
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Tronco. Gordura de tronco alta com membros magros é o fenótipo central —

a antessala do visceral. Massa magra de tronco em série audita a musculatura axial e postural.

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ECW por membro. Braço operado com ECW subindo em relação ao contralateral é linfedema subclínico. A bioimpedância segmentar é ferramenta consagrada de detecção precoce após câncer de mama —

antes da fita métrica e do sintoma.

A régua da reabilitação vem da literatura do ligamento cruzado anterior: atletas que voltaram sem cumprir critérios de simetria relesionaram 38,2

%, contra 5,6 % dos que cumpriram; cumprir critérios e adiar o retorno associou-se a 84 % menos risco (Grindem, 2016).

A simetria não é estética: é seguro atuarial do joelho. O índice de simetria de referência — 90 % — é critério de força e função;

a massa segmentar é a metade objetiva e barata que o acompanha mês a mês.

A velocidade da atrofia define o ritmo da série: o quadríceps imobilizado perde 3,5 % de área em cinco dias e 8,4 % em catorze, com força caindo

23 % (Wall, 2014). Após AVC, o lado parético carrega 20 % menos massa muscular de coxa (Ryan, 2002) — e esse déficit responde a reabilitação.

Sob tratamento

Sob caneta GLP-1 ou tirzepatida, a perda de massa magra não é uniforme, e as pernas são o compartimento funcionalmente crítico.

Total estável com pernas caindo já é alarme — a versão fina da vigilância anti-sarcopenia.

Sob TRT e anabólicos, o ganho deve ser global e proporcional; ganho concentrado em tronco com membros parados sugere componente hídrico ou

visceral — mais um detector de ganho falso.

No pós-operatório ortopédico: baseline pré-cirúrgico quando eletivo, série quinzenal do membro, alta funcional apoiada em simetria de massa e de

força. A folha vira documento objetivo de alta. Na oncologia mamária: ECW do braço homolateral em toda paciente com esvaziamento ou radioterapia

axilar — triagem longitudinal embutida no exame que ela já faz.

O que todo mundo erra

"O total conta a história." Dois corpos com a mesma massa magra total: um simétrico e funcional, outro com uma perna 15 % menor pós-lesão.

A média é onde a assimetria se esconde.

"Braço forte, corpo forte." O envelhecimento poupa braços e leva pernas; a preensão sozinha superestima o idoso. Função é membro inferior.

"Duas semanas de repouso não fazem diferença." Menos 8,4 % de quadríceps e menos 23 % de força.

O repouso é intervenção catabólica agressiva — e unilateral quando o membro é um só.

Na consulta

Toda leitura segmentar responde a quatro perguntas: direita e esquerda simétricas? superior e inferior proporcionais? tronco magro ou gordo?

ECW por membro igual? Assimetria nova ou progressiva pede investigação; pós-lesão pede série quinzenal;

no idoso, a massa magra de pernas é a métrica-sentinela.

Padronização vale em dobro aqui: scan após treino unilateral recente distorce o membro exercitado. **A massa recupera antes da força;

alta por massa simétrica com força assimétrica é alta precoce — os dois critérios juntos são o padrão.**

A média é onde os problemas se escondem. Pesar cada vagão do trem acha a perna que a lesão levou — anos antes de o total confessar.

Referências: Grindem, H., et al., Br J Sports Med, 2016 · PMID 27162233 · Wall, B. T., et al., Acta Physiol, 2014 · PMID 24168489 · Janssen, I., et al., J Appl Physiol, 2000 · PMID 10904038 · Mitchell, W. K., et al., Front Physiol, 2012 · Ryan, A. S., et al., Arch Phys Med Rehabil, 2002 · PMID 12474173.