MÉTRICAS · ANÁLISE SEGMENTAR
Análise segmentada: o corpo em cinco cilindros
A análise segmentada mede massa magra e gorda de cada segmento como um cilindro elétrico próprio — dois braços, duas pernas, tronco.
É a camada da folha que enxerga o que o número total esconde.
O problema físico que ela resolve: num sistema de trajeto único mão-pé, o tronco — que concentra enorme fração da massa — é eletricamente curto e
grosso: contribui pouquíssimo para a impedância total, e sua composição é extrapolada, não medida.
Medir o corpo por um único trajeto é pesar um trem pesando um vagão e multiplicando por seis.
01 · Análise segmentar
Como a Evolt mede
Oito eletrodos táteis — mãos e pés — e leitura tetrapolar por trajeto, nas quatro frequências de 5, 50, 250 e 500 kHz.
Cada cilindro é lido diretamente: o tronco ganha composição real, e cada membro, o próprio número.
Quatro leituras invisíveis ao total: assimetria direita/esquerda de massa magra; equilíbrio superior/inferior;
a composição do tronco, onde mora o visceral; e a água extracelular por segmento — o rastreador de linfedema.
Os valores segmentares carregam mais variabilidade que o total; a comparação válida é do paciente com ele mesmo, em série padronizada.
Como ler — as quatro leituras
esperada e estável; atrofia por desuso, lesão ou pós-operatório — a que importa interceptar;
neuropatia ou radiculopatia; e, no membro com ECW desproporcional, linfedema ou insuficiência venosa.
O sinal é a assimetria nova ou progressiva.
a antessala do visceral. Massa magra de tronco em série audita a musculatura axial e postural.
antes da fita métrica e do sintoma.
A régua da reabilitação vem da literatura do ligamento cruzado anterior: atletas que voltaram sem cumprir critérios de simetria relesionaram 38,2
%, contra 5,6 % dos que cumpriram; cumprir critérios e adiar o retorno associou-se a 84 % menos risco (Grindem, 2016).
A simetria não é estética: é seguro atuarial do joelho. O índice de simetria de referência — 90 % — é critério de força e função;
a massa segmentar é a metade objetiva e barata que o acompanha mês a mês.
A velocidade da atrofia define o ritmo da série: o quadríceps imobilizado perde 3,5 % de área em cinco dias e 8,4 % em catorze, com força caindo
23 % (Wall, 2014). Após AVC, o lado parético carrega 20 % menos massa muscular de coxa (Ryan, 2002) — e esse déficit responde a reabilitação.
Sob tratamento
Sob caneta GLP-1 ou tirzepatida, a perda de massa magra não é uniforme, e as pernas são o compartimento funcionalmente crítico.
Total estável com pernas caindo já é alarme — a versão fina da vigilância anti-sarcopenia.
Sob TRT e anabólicos, o ganho deve ser global e proporcional; ganho concentrado em tronco com membros parados sugere componente hídrico ou
visceral — mais um detector de ganho falso.
No pós-operatório ortopédico: baseline pré-cirúrgico quando eletivo, série quinzenal do membro, alta funcional apoiada em simetria de massa e de
força. A folha vira documento objetivo de alta. Na oncologia mamária: ECW do braço homolateral em toda paciente com esvaziamento ou radioterapia
axilar — triagem longitudinal embutida no exame que ela já faz.
O que todo mundo erra
"O total conta a história." Dois corpos com a mesma massa magra total: um simétrico e funcional, outro com uma perna 15 % menor pós-lesão.
A média é onde a assimetria se esconde.
"Braço forte, corpo forte." O envelhecimento poupa braços e leva pernas; a preensão sozinha superestima o idoso. Função é membro inferior.
"Duas semanas de repouso não fazem diferença." Menos 8,4 % de quadríceps e menos 23 % de força.
O repouso é intervenção catabólica agressiva — e unilateral quando o membro é um só.
Na consulta
Toda leitura segmentar responde a quatro perguntas: direita e esquerda simétricas? superior e inferior proporcionais? tronco magro ou gordo?
ECW por membro igual? Assimetria nova ou progressiva pede investigação; pós-lesão pede série quinzenal;
no idoso, a massa magra de pernas é a métrica-sentinela.
Padronização vale em dobro aqui: scan após treino unilateral recente distorce o membro exercitado. **A massa recupera antes da força;
alta por massa simétrica com força assimétrica é alta precoce — os dois critérios juntos são o padrão.**
A média é onde os problemas se escondem. Pesar cada vagão do trem acha a perna que a lesão levou — anos antes de o total confessar.